Como fui aprovado no concurso da PRF após 58 dias de estudos | Fernando Mesquita

Como fui aprovado no concurso da PRF após 58 dias de estudos | Fernando Mesquita

abril 10, 2019 Off Por Redator

Em 2008, eu passei num concurso da Polícia Rodoviária Federal depois de estudar por 58 dias Eu não sou especial, eu não sou super inteligente, eu não sou de outro planeta

Eu sou uma pessoa normal que encontrou um caminho Essa é a história Dessa aprovação e de todas as outras que eu consegui ao longo da última década, e a história que nos trouxe aos mais de 100 mil assinantes deste canal Se eu perguntar para mil pessoas o que é mais importante para passar em um concurso, 999 vão dizer que o mais importante é estudar Coincidentemente, a gente sabe que uma a cada mil pessoas, mais ou menos, passa em concurso

Então, essa estatística bate Quando eu comecei a fazer provas, eu não sabia que existia um segredo, uma espécie de teia invisível que liga às pessoas que são aprovadas Esse "segredo" porque, no final das contas tem muito pouco de segredo de fato, é que estudar é só uma parte pequena do que faz a sua aprovação Para o leigo, estudar é igual a ser aprovado, mas isso é falso, porque nem todo mundo que estuda, de fato, é aprovado Isso não significa, de forma alguma, que estudar não seja necessário, pelo contrário

Você precisa estudar e muito Algumas pessoas, inclusive, caem nesse conto achando que porque elas estudaram na escola ou estudaram na faculdade ou sei lá, fizeram marcenaria, que elas sabem o que quer estudar para concursos Não sabem Pouca gente sabe e muita gente desiste de concurso sem nunca ter descoberto Para você entender o que aconteceu de verdade, eu preciso contar um pouquinho da minha história para você

Eu não queria fazer concursos, aí eu queria fazer concursos Eu tinha morado na Inglaterra Voltei para o Brasil depois de um tempo e eu queria prestar concursos, mas eu não tinha dinheiro e eu não tinha a menor ideia do que eu ia fazer Eu não tinha de onde tirar esse dinheiro Eu não sabia como começar

É como se alguém tivesse me largado no meio do deserto e tivesse falado: "se vira sem nenhum mapa" Para você ter uma ideia, na época do vestibular, eu me dei conta de que essa é uma das primeiras provas grandes que eu iria fazer Eu realmente queria passar E acho que todo mundo realmente quer passar no vestibular Eu tinha feito cursinho lá durante seis meses e eu fiquei nervoso porque a concorrência era, tipo, 20 pessoas por vaga E é engraçadíssimo ver como a meninada, que presta vestibular hoje, acha que isso é muito

E aqui cabe um parênteses Todo mundo vê a história de alguém que é muito mais "velho" e passa em vestibulares, ENEMs e afins Quem tem 17, 18 anos fica pensando "caracas, deve ter estudado muito!" E às vezes não Você vê aquelas pessoas com 25, 30 anos e dizer que não estudou quase nada E aí quando a grande ficha começa a cair, porque, peraê

Se eu estudei que nem um condenado e tive dificuldade para passar, e aquela pessoa quase não estudou e passou, deve ter alguma coisa de podre nesse sistema que eu não estou entendendo, mas deixa essa informação aí no fundo porque as pessoas vão levar alguns anos para entender isso de fato A real é que eu passei no vestibular, eu passei bem Era um curso "concorrido" na UNB, na Universidade de Brasília, e eu fiquei em 6º, 8º lugar em Comunicação Social

Mas a faculdade não era para mim Nessa mesma época, eu comecei a fotografar profissionalmente, já fotografava há algum tempo, mas, nessa época, eu comecei a querer viver disso E a faculdade era uma coisa cada vez mais distante desse desejo Os professores eram desinteressados, os alunos eram desinteressados, a estrutura da faculdade era ruim, era um pacote completo E, no fundo, eu acho que essa aprovação era mais para provar que eu era capaz

Eu passei uma quantidade muito estranha de tempo da minha vida tentando provar que eu era capaz Isso, certamente, deveria ser objeto de análise, mas o fato é que eu sabia que eu era capaz E, por causa disso, eu também não me senti na obrigação de ficar, porque essa sensação que você ganha quando você prova a sensação de que, se as coisas derem errado, você pode fazer aquele processo de novo Você ganha confiança, você começa a entender a sua competência Eu saí da faculdade, eu montei meu estúdio fotográfico

Eu fechei meu estúdio fotográfico depois de um tempo Eu casei com a mulher que ia ser a mãe dos meus filhos Eu fui morar na Inglaterra por um meses lá Eu continuei fotografando Mas a gente sentiu que era hora de voltar

Então, eu pensei: "tá, eu vou voltar e fazer o quê?" Eu podia, na verdade, fazer várias coisas, mas a saída mais simples era aquela que minha mãe vivia buzinando na minha orelha nos últimos 10 anos: "faz concurso, faz concurso, faz concurso" Eu não queria fazer concurso Várias vezes eu tinha dito que eu não ia fazer concurso, que eu queria outras coisas para a minha vida, mas aí

chegou aquele momento em que você chega a conclusão de que seus pais têm alguma razão naquilo que eles dizem, e eu comecei a estudar Eu queria ser policial Eu sempre quis

Eu via aqueles filmes de ação, cheio de tiros e explosão, embora eu soubesse que a realidade não era bem assim Eu ficava aquela pontinha de vontade de invadir os lugares com metralhadora e sair prendendo o povo Então, nada mais normal do que fazer a prova para um cargo policial Bem na época que a gente voltou da Inglaterra, saiu concurso da Polícia Rodoviária Federal Eu pensei: "Bom, é uma coisa que eu quero, então, por que não?" O problema é que eu não tinha um centavo, literalmente

Eu estava morando na casa dos meus sogros, e eu não tinha absolutamente nenhuma perspectiva Eu pedi, na época, e isso era muito dinheiro, mil reais emprestados para minha mãe que tirou não sei de onde, porque ela também não tinha E eu fui estudar Eu comprei alguns livros Eu acertei alguns, eu errei na maioria

Eu entrei em contato, pela primeira vez, com os cursos, cursos de Direito Penal, curso de Processo Penal e isso mudou a minha vida em relação ao Direito que eu nunca tinha estudado E me fez amar Direito Penal, uma disciplina da qual gosto muito até hoje Eu não sabia o que eu estava fazendo, eu não tinha a menor ideia Mas a primeira coisa que eu fiz foi pegar a prova anterior do cargo e fazer como simulado Podia até ser que eu não tivesse ideia de qual seria o próximo passo, mas eu sabia que eu precisava, pelo menos, ter uma noção do tamanho do desafio que eu tinha pela frente

Eu imprimi a prova, fui pra biblioteca da UNB, na época, todo confiante E aí resolvi Fui rápido até Eu lembro de olhar para a nota da prova depois de corrigir e ficar me perguntando se eu tinha corrigido certo, porque a nota era, tipo, 30% menor do que a nota do último colocado na prova anterior A correção estava certa e eu ia ter que ralar bastante para conseguir passar

Fui estudar Eu estava dia e noite Eu estava morando na casa dos meus sogros na época e, muita das vezes, eu corria para trocar o pijama quando dava 6 horas da tarde, porque eu sabia que eles estavam chegando e ia ficar estranho se eles me vissem naquela situação Mas eu passava tanto tempo estudando que às vezes eu levantava, ia para a sala, estudava o dia inteiro, e quase dormia em cima dos livros Eu costumo dizer que a necessidade é realmente é a mãe da vontade

Minha esposa e eu éramos casados há tempo e você imagina a treta, zero dinheiro para sair, zero dinheiro para comprar qualquer coisa No nosso primeiro aniversário de casamento foram meus sogros que levaram a gente para jantar, porque era a única forma de a gente conseguir comemorar Mas eu fui estudando Nessa época, eu comecei a desenvolver e aplicar a metodologia de estudos que hoje eu ensino, que é o Ciclo EARA Eu entendi que eu precisava estudar, e essa é a parte que a maioria acerta, afinal, se você não sabe algo, você estuda para aprender

Eu sabia que eu precisava resolver questões Eu entendi isso vendo a prova, eu olhava alguns daqueles itens e dizia: putz, se eu tivesse lido isso antes, eu teria acertado Não era o conteúdo em si que era complicado, era a linguagem, era o contexto, era a forma como aquilo era exposto Eu comecei a desconfiar que isso seria muito mais fácil de interpretar resolvendo questões parecidas do que estudando propriamente Eu precisava revisar

Pegava livro de Direito Penal com 500 páginas cada um, eram 3, 4 volumes E, como a minha memória não foi nenhuma maravilha, eu precisava de algum tipo de mecanismo para rever aquele conteúdo várias vezes Em algumas ocasiões, eu fazia anotações no próprio livro, em outras eu anotava em papéis a parte O que eu percebia é que o resumo que eu fazia, naquele papel a parte, era muito mais eficiente do que, sempre que tinha uma dúvida, eu ficava voltando ao material, correndo atrás do capítulo, lendo todas as anotações que eu tinha feito para descobrir onde estava a resposta para aquela dúvida Não era muito mais fácil eu ter um material a parte com tudo que era difícil para mim? E, por último, eu comecei a fazer registros de como eu ia

Eu imaginei que com 100, 120 tópicos para estudar, se eu não tivesse uma noção muito clara de onde estavam meus erros, meus acertos, meus pontos fortes, meus pontos fracos, ia ser como se eu estivesse tateando no escuro e eu não podia me dar a chance de errar, que ela era uma chance "única" E eu estudei Peguei todos esses princípios e estudei

Em todos os momentos que eu tinha Mas, claro, que nem tudo foram flores Eu não tinha nem ideia das coisas que eu ia passar ainda